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Arctic Monkeys volta desacelerado em “Tranquility Base Hotel & Casino”

Arctic Monkeys volta desacelerado em “Tranquility Base Hotel & Casino”

Por: Diogo Almeida

O Arctic Monkeys voltou à ativa e lançou nesta sexta-feira (11) o tão esperado álbum “Tranquility Base Hotel & Casino”, após cinco anos longe dos estúdios, e pegou de surpresa os fãs que esperavam uma pegada mais stoner-pop que a banda vinha fazendo desde o “Humbug”, álbum de 2009.

Com mais piano e menos guitarras, o Arctic Monkeys de 2018 desacelera, divergindo, e muito, do estilo que a tornou uma das maiores representantes do cenário indie dos anos 2000.

Produzido pelo vocalista e guitarrista do grupo, Alex Turner, em parceria com o músico James Ford – colaborador antigo da banda, o álbum tem uma temática mais calma, com 11 faixas recheadas de sintetizadores e pianos,o que deixa o disco com um ar vintage e, ao mesmo tempo, meio futurista.

Alex Turner compôs o álbum praticamente sozinho, em um estúdio montado na casa dele em Los Angeles, nos Estados Unidos. As músicas foram todas elaboradas em um piano que ele ganhou de presente de aniversário de 30 anos.

As letras exploram ficção científica, política, religião e tecnologia. Além de deixar as guitarras de lado, “Tranquility Base” também esquece um pouco as bebedeiras e relacionamentos, temas recorrentes de outros discos.

Mas o disco não chega a ser somente um trabalho solo do Alex Turner, como ele descartou em uma entrevista dada ao site Intro, da Alemanha, no início do mês.

Depois de entregar as demos para os companheiros de banda, os músicos conseguiram imprimir suas características pessoais nas faixas, como o solo de guitarra de “Golden Trunks” e o baixo de “Star Treatment” – que abre o álbum”.

A bateria de Nick O’Malley também é destaque. Não de forma frenética como em “Brianstorming” (do segundo álbum) e “The View from the Afternoon”, do disco de estréia, mas de uma forma delicada e sutil, com pegadas de blues e jazz, presente em todas as faixas.

Entre as referências para o álbum – incluindo o brasileiro Lô Borges – estão o glam-rock de David Bowie, que pode ser percebido em trechos da faixa-título e também em “Four out of Five”, o francês Serge Gainsbourg e até mesmo o Beach Boys. Dessa vez Turner resolveu fugir dos Strokes, como deixa claro literalmente na primeira frase do álbum.

Definitivamente, “Tranquility Base” não é um disco para ouvir na balada, dançando o electro-pop como um robô de 1984, e sim um álbum para se apreciar como quem degusta um charuto acompanhado de um copo de uísque em uma poltrona de couro.



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